domingo, 6 de dezembro de 2009

Sobre um pintor...


Ainda estou lendo a obra Memórias do Subsolo e observei que o autor implícito cita artigos publicados em jornais e exposições que ocorreram na Rússia de sua época. Interessada em um quadro citado nessa obra fui pesquisar a respeito do pintor chamado N.N. Gué. Infelizmente, pouco descobri, apenas consegui uma pintura do autoretrato desse pintor russo. Não consegui nenhuma imagem da pintura então citada no livro de Dostoiévski, mas continuo na busca pelo quadro Vésperas Perdidas. Quadro que, em nota de rodapé do livro explica, fora exposto na Academia de Belas Artes.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Biografia


Fiodor Mikahailovich Dostoiévski nasceu em Moscou aos 11 de Novembro de 1821. Conhecido como o fundador do existencialismo. Só teve reconhecimendo a partir de 1860 com as obras Crime e Castigo e O idiota. Freud considerou a obra Os irmãos Karamazov como a melhor obra da literatura universal.

Órfão de mãe, Dostoiévski viu seu pai ser assassinado pelos colonos de sua fazenda. Nessa ocasião, teve sua primeira crise de epilepsia. Desde então, passou a odiar armas, mesmo assim, anos depois, acabou envolvendo-se em atos revolucionários e quase foi condenado à morte. Por intervenção de uma amigo, acabou exilado e passou a viver na Sibéria. Em 1859, volta a Petersburgo.

Considerava suas crises epiléticas como uma forma de conversar com Deus, baseado nisso pregava a solidariedade.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Nossa primeira leitura...

Olá leitores, nossa primeira leitura é Memórias do Subsolo, de Fiódor Dostoiévski

Escreve Manuel da Costa Pinto na folha de rosto do livro "Aqui ressoa a voz do 'homem do subsolo', o personagem-narrador que, à força de paradoxos, investe ferozmente contra tudo e contra todos (...) mas investe, acima de tudo, contra o solo da própria consciência, criando uma narrativa ímpar, de altíssima voltagem poética, que se afirma e se nega a si mesma sucessivamente"
Livro denso, envolvente e que dialoga com o leitor, não vale a pena ler? Boa leitura...
por Celiane

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

O processo criativo do Jazz


A evolução do jazz se deve grandemente em virtude da improvisação, esse processo evolutivo jamais teria se desenvolvido, com tanta eficácia, se não tivesse passado por esta linha moderna de criatividade. As manifestações musicais não seriam o que são hoje, se não fosse a contribuição africana, sua maneira sinuosa de cantar, enfim, a herança cultural.
Estas manifestações culturais começaram a ecoar em diversas regiões dos Estados Unidos como: Mississipi, Arkansas, Kansas City, Chicago, New Orleans, Alabama, New York e muitos outros. Ainda pode-se ouvir em Nova Orleans músicos tocando em suas cornetas marchas fúnebres, todos seguindo em direção a um cemitério, ou tocando nas mesmas cornetas Spirituals alegremente em uma igreja, mas o interessante, era como eles criavam aquelas melodias cativantes, a linha melódica da peça não era executada sozinha, o instrumentista acrescentava notas de passagem que unidas às notas básicas, mais à escala de blues acrescida da blue note (nota blues), proporcionava uma sonoridade diferente, sem perder a essência da obra musical e dando-lhe um visual inovador. Na realidade a improvisação é uma reescrita, uma recriação do tema naquele momento, em um outro será de maneira diferente.

A improvisação consiste basicamente de criatividade e técnica, se um músico não possuir estes dois requisitos não será completo, lhe faltará algo. O ato de improvisar não é apenas milhões de notas jogadas sobre uma seqüência harmônica (acordes) sem nenhuma razão. A improvisação não é andar no escuro, é como andar na ausência de luz, não é simplesmente atravessar um rio e sim como atravessar este rio, desviando-se das pedras e dos buracos que estão obscuros. A improvisação permite ao músico de jazz, andar no limite com total controle da situação. É bom salientar que improvisar é criar uma música no momento em que se toca, e isto independe da quantidade de notas ou da velocidade que será inserida na peça musical, o mais importante é o sentimento do momento sempre aliado à técnica.
Jazz é improvisação, é criatividade e requer antes de tudo, conhecimento musical, mas como em toda regra há exceção, existiram músicos do meio que não liam nada de partitura mas mesmo assim foram bem sucedidos e contribuíram para a inovação do jazz. Dentre estes inovadores podemos destacar Wes Montgomery, um guitarrista que usava o polegar para tocar ao invés da palheta, a sua música era tão peculiar que despertava a atenção daqueles que o ouviam, o interessante de tudo é que ele tocava de ouvido e não perdia para quem lia partitura. Um dos grandes guitarristas europeus, Sacha Distel, foi assistir um show de Wes em Nova York, onde estava de passagem, ao vê-lo tocar e improvisar não suportou continuar assistindo ao espetáculo, sentiu-se profundamente frustrado e foi embora.
Também é importante frisar, que muitas vezes o improviso se torna, por diversas razões, mais importante, mais extenso e mais belo do que o próprio tema. John Coltrane, que foi um ícone do jazz modal era capaz de improvisar sobre um tema por horas; em sua música "Blue Trane", o tema é simples e fácil, um blues de 12 compassos, mas a improvisação é algo estarrecedor.
Enfim, Jazz é música para se improvisar, tocar o que não está escrito, a música surge no momento em que se toca, é um momento sublime, eles tocam o que sentem, é um momento de individualidade e ao mesmo tempo coletivo, um estado de graça e de puro prazer. Por essa razão o jazz não pode ficar vinculado a uma elite, cuja, cultura vem de manuais práticos, restrito à clubes noturnos ou em um canto separado nas lojas de discos, tem que ser mostrado ao grande público, sempre foi música popular e deveria continuar sendo.

Elias Sena Santos